To be offline

offline_wifi Na antropologia um dos primeiros aprendizados que temos é a importância do afastamento. Afastamento porque, para que a reflexão seja profunda, é preciso passar pela vivência e depois se distanciar dela – e aqui eu digo no sentido literal da palavra – para que se possa pensar sobre ela.

Mas por que eu estou falando de antropologia num espaço que visa debater a tecnologia? Bom, primeiro porque a tecnologia só tem sentido de ser, se for pensada para os homens. Segundo, porque é impossível falar sobre qualquer tema sem que se esbarre nas ciências humanas.

Estamos tão cercados pela tecnologia e tão famintos por exercê-la em nosso cotidiano e nossos negócios que, muitas vezes, acabamos por esquecer de pensar sobre ela. E é  justamente de tanto nos acostumarmos a todas essas tecnologias e incorporá-las tão bem às nossas vidas, que esquecemos, inclusive, que existe sim vida sem Whatsapp, sem elevadores e sem ar-condicionado.

No que implica um shopping ter suas escadas rolantes desligadas? Qual o efeito de não oferecer WiFi no mall e por que isso é tão básico? A resposta parece simples para ambos os casos: resulta em clientes insatisfeitos. Mas por que o resultado são clientes insatisfeitos? Quais são as motivações e as necessidades que levam os clientes a ficarem descontentes nesse caso? Quais desejos essas facilidades suprem? Muitas respostas – e muitas perguntas – só surgem quando nos afastamos e nos propomos a verdadeiramente pensar sobre o assunto.

Quantas vezes você experimentou viver o mundo offline propositalmente? Estou certo de que são poucas as pessoas que optam por se desconectarem, mas posso garantir que é só ao ficarmos offline, que podemos de fato compreender o que é estar online. Prova disso é que mesmo em 2015 alguns complexos possuem WiFi na administração, mas não oferecem o serviço gratuito aos clientes. Será que  a administração destes empreendimentos aceitaria ficar offline e arcaria com as consequências disso? Não? Então por que não oferecer internet aos clientes? Se a questão se restringir aos custos, será que vale mesmo a economia? Arrisco dizer que privar clientes do acesso à WiFi, é o mesmo que privar os clientes da vida social, definitivamente não estou disposto a pagar o preço.

 

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